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Inscrição em dívida ativa suspende a prescrição por 180 dias

A inscrição em dívida ativa suspende a prescrição por 180 dias na execução fiscal de multa ambiental. Sem essa conta, a tese de prescrição cai.

Cláudio Farenzena - Advogado de Direito Ambiental
Escrito por
Advogado Ambiental
49222/SC
Advogado inscrito na OAB/SC 49.222 e OAB/MT 35260/. Especialista em Direito Ambiental pela UFPR. Sócio do Escritório Farenzena Tonon Advogados. Vice-Presidente do Instituto de Direito Ambiental - IDAM. Idealizador do AdvLabs, do Direito Ambiental Experience, do FONADAM, do Direito Ambiental na Prática e da Mentoria Sala dos Conselheiros.

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Execução fiscal distribuída 5 anos e 2 meses depois da decisão administrativa final, com inscrição em dívida ativa pelo meio. A multa ambiental está prescrita?

Não necessariamente. A inscrição em dívida ativa suspende a prescrição por 180 dias, conforme o art. 2º, § 3º, da Lei 6.830/1980. O prazo real da Fazenda não é de 5 anos secos, e a tese que ignora esses 180 dias cai já na contestação.

Conheço um caso em que o advogado alegou prescrição porque havia passado pouco mais de 5 anos entre a constituição definitiva do crédito e o ajuizamento da execução fiscal. Perdeu a tese, porque não computou a suspensão e o juiz estava atento à data da inscrição em dívida ativa.

Valeu alegar. Só faltou refazer a conta antes de peticionar.

A inscrição em dívida ativa suspende a prescrição da multa ambiental por quanto tempo?

Por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se a distribuição ocorrer antes de findo esse prazo. É o que diz o art. 2º, § 3º, da Lei 6.830/1980, e o prazo corre em favor da Fazenda, não do executado.

O mesmo dispositivo define o que a inscrição é: ato de controle administrativo da legalidade, feito pelo órgão competente para apurar a liquidez e a certeza do crédito. Quem faz esse controle, em regra, é a procuradoria, e não o órgão ambiental que lavrou o auto de infração.

O caminho do crédito explica a razão da suspensão. Encerrado o processo administrativo e não paga a multa ambiental, o processo segue para a procuradoria, que inscreve o devedor em dívida ativa, emite a Certidão de Dívida Ativa e só então ajuíza a execução fiscal. Os 180 dias são o tempo que a lei reserva para esse controle.

Para a multa ambiental, que é crédito não tributário, a suspensão do art. 2º, § 3º, da Lei 6.830/1980 se aplica sem a controvérsia que existe no crédito tributário, onde a prescrição é matéria reservada a lei complementar. O aprofundamento sobre o regime jurídico da execução fiscal de multa ambiental detalha essa separação.

Os procedimentos de inscrição e os dados do crédito federal estão descritos na página da dívida ativa da União na PGFN, útil para localizar a data de inscrição antes de montar a tese.

Suspensão e interrupção da prescrição são a mesma coisa?

Não são. Suspensão para o prazo e depois o devolve de onde parou. Interrupção zera a contagem e faz o prazo começar outra vez do início. A diferença entre as 2 figuras decide quantos dias a Fazenda ainda tem para ajuizar a execução fiscal.

O art. 2º, § 3º, da Lei 6.830/1980 usa a palavra suspenderá, e não interromperá. A escolha do legislador tem consequência prática direta na conta do executado, como o quadro abaixo mostra.

Efeito de cada figura sobre o prazo de 5 anos da execução fiscal
Figura O que acontece com o prazo Resultado na conta
Suspensão por inscrição em dívida ativa O prazo para por até 180 dias e volta a correr de onde parou 5 anos mais os dias de suspensão efetivamente consumidos
Interrupção O prazo já corrido é descartado e a contagem reinicia do zero 5 anos contados outra vez, a partir do marco interruptivo

Lendo o quadro na prática: se a inscrição em dívida ativa consumiu 180 dias inteiros antes do ajuizamento, a Fazenda dispõe de 5 anos e 180 dias. Se a execução fiscal foi distribuída 60 dias depois da inscrição, a suspensão valeu só por esses 60 dias, e o total é de 5 anos e 60 dias.

Esse detalhe é o que separa a tese bem montada da tese perdida. Suspensão não é cheque em branco de 180 dias: é o tempo efetivamente decorrido entre a inscrição e a distribuição, limitado a 180 dias.

A confusão entre as 2 figuras também aparece na fase intercorrente, já dentro da execução fiscal, com outros marcos e outra lógica. Tratei dela no artigo sobre o que interrompe a prescrição intercorrente na execução fiscal.

Por que a execução fiscal ajuizada depois de 5 anos pode não estar prescrita?

Porque o prazo de 5 anos não corre de forma contínua. Entre a constituição definitiva do crédito e a distribuição da execução fiscal existe a inscrição em dívida ativa, e esse ato suspende a prescrição por até 180 dias. Execução distribuída em 5 anos e 4 meses pode estar dentro do prazo.

A conta tem 3 datas, e nenhuma delas pode ser estimada. A data da constituição definitiva do crédito, que é o marco inicial da prescrição executória. A data da inscrição em dívida ativa, que abre a suspensão. E a data da distribuição da execução fiscal, que a encerra.

Com as 3 datas em mãos, o cálculo é direto: tempo corrido entre a constituição definitiva e o ajuizamento, menos o período de suspensão, e o resultado comparado com os 5 anos. Se o resultado passar de 5 anos, a prescrição existe e vale alegar.

Já expliquei o marco inicial desse prazo no artigo sobre a prescrição executória da multa ambiental em 5 anos, e a escolha da fase correta para a alegação no artigo sobre como alegar prescrição na execução fiscal sem errar a fase.

Como advogado especializado em direito ambiental, refaço essa conta em planilha antes de qualquer petição, com as 3 datas extraídas de documento e não de memória.

O que conferir antes de alegar a prescrição executória?

Confira a data de inscrição em dívida ativa na própria Certidão de Dívida Ativa, confira a data de distribuição no andamento processual e confira a data da decisão administrativa final no processo administrativo. Sem esses 3 documentos, a alegação é um palpite.

A Certidão de Dívida Ativa costuma trazer a data e o número da inscrição no corpo do documento. Quando a certidão vem incompleta, o pedido de exibição do procedimento de inscrição resolve, e a própria omissão do dado pode servir de argumento adicional contra a certidão.

Vale conferir também a regularidade da certidão em si, porque defeito na Certidão de Dívida Ativa derruba a execução fiscal independentemente da prescrição. Um caso julgado nessa linha está no informe sobre CDA inválida que extinguiu a execução de multa ambiental.

Quando a conta fecha a favor do executado, o resultado é a extinção da cobrança, como no informe sobre multa ambiental prescrita e execução fiscal extinta. Na esfera administrativa, o efeito equivalente aparece no conteúdo sobre prescrição intercorrente que extingue o processo e o termo de embargo ambiental.

A prescrição é matéria de ordem pública e pode ser alegada em exceção de pré-executividade, sem garantia do juízo. Mas a conta precisa estar certa antes disso.

Perguntas frequentes

Como contar os 180 dias de suspensão da prescrição na execução fiscal?

Conte do dia da inscrição em dívida ativa até o dia da distribuição da execução fiscal, com o limite de 180 dias. Se a distribuição ocorreu 90 dias depois da inscrição, a suspensão valeu 90 dias. Se ocorreu 1 ano depois, a suspensão valeu 180 dias, porque é o teto do art. 2º, § 3º, da Lei 6.830/1980.

Depois disso, some o período de suspensão ao prazo de 5 anos contados da constituição definitiva do crédito. O total é o tempo que a Fazenda tinha para ajuizar a cobrança da multa ambiental.

A suspensão de 180 dias vale para a multa ambiental estadual?

Vale quando a cobrança é feita pela Lei 6.830/1980, que é a regra geral da execução fiscal em todas as esferas. A multa ambiental estadual inscrita em dívida ativa estadual e cobrada por execução fiscal segue o mesmo art. 2º, § 3º, com os mesmos 180 dias.

O que muda de um estado para outro é a norma que fixa o prazo prescricional antes da inscrição, na fase administrativa. Essa parte exige a leitura da lei estadual de processo administrativo e do decreto que o órgão ambiental aplicou.

Perdi a tese por não contar os 180 dias; ainda há o que fazer?

Em regra sim, porque a prescrição executória não é a única matéria disponível. A prescrição intercorrente, que corre dentro da execução fiscal quando o processo fica parado, continua aberta e tem marcos próprios, independentes da contagem anterior ao ajuizamento.

Também seguem disponíveis os defeitos da Certidão de Dívida Ativa, a nulidade do processo administrativo que gerou o crédito e a ausência de individualização da conduta do executado. Rejeitada a prescrição executória, vale revisar o caso inteiro antes de desistir da defesa.

Conclusão

A distinção que o executado precisa levar é entre prazo e prazo somado. O prazo da prescrição executória é de 5 anos, mas o tempo que a Fazenda tem para ajuizar pode chegar a 5 anos e 180 dias, e a diferença está na data de inscrição em dívida ativa.

O que decide esse tipo de caso na prática é a documentação das 3 datas. Constituição definitiva do crédito, inscrição em dívida ativa e distribuição da execução fiscal, cada uma extraída de documento, com a conta feita antes da petição e não depois da contestação da Fazenda.

Para montar a tese, reúna a Certidão de Dívida Ativa com a data de inscrição, a íntegra do processo administrativo com a decisão final e o andamento processual com a data de distribuição. É esse conjunto que transforma a alegação de prescrição em cálculo verificável.

Se você recebeu citação em execução fiscal de multa ambiental e a conta parece ultrapassar os 5 anos, vale procurar um advogado especializado em direito ambiental para conferir a data da inscrição e refazer o cálculo antes de apresentar a defesa.

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